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JURANDIR, FORÇA E DEDICAÇÃO NA FEIRA DAS SETE PORTAS







Desde os anos 40 fazendo parte da vida dos soteropolitanos, a Feira da Sete Portas acolhe cerca de 3,3 mil feirantes em seus boxes e bancas. Dentre eles está o senhor Jurandir dos Santos Silva, 55 anos, que tem seu comércio há 38 anos vendendo carnes de porco e carneiro.   

Jurandir sai de casa todos os dias do bairro Santa Rita às 4h da manhã para abrir às 5h o seu estabelecimento. Ele que já morou no bairro de São Caetano, conta com bom humor que hoje não precisa se preocupar tanto com a distância, pois consegue fazer o percurso até a feira bem mais rápido e a pé.
 Ele conta também que dos seus quatro filhos, dois trabalham na feira com ele, sendo que um já tem sua própria barraca. Jurandir, que tem mais duas filhas, prefere deixá-las em casa cuidando dos afazeres domésticos auxiliando sua esposa, já que o dinheiro arrecadado com a venda das carnes dá para o sustento de todos.
                   
Ao contrário do que muitos pensam, são os próprios comerciantes que fazem a manutenção e limpeza da feira, “A única participação da prefeitura aqui é na hora de cobrar o IPTU, todas as pequenas mudanças que fazemos aqui saem do nosso bolso”, conta o orgulhoso Jurandir.
Sobre o futuro, seu Jurandir (como gosta de ser chamado) já tem planos definidos, pretende se aposentar em breve e passar o negócio para os dois filhos que o acompanham diariamente, “acho que já chegou à hora, mas estou adiando, essa coisa de trabalhar de domingo a domingo todos esses anos cansa um pouco, to na hora de descansar”, conta ele em tom de brincadeira. 
Já quando foi abordado sobre uma futura mudança na feira, como houve com o mercado do Rio vermelho e com a feira de São Joaquim ele fala que não tem nenhum receio, pois as barracas são propriedades particulares, então não haverá uma grande mudança aqui.

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E quando perguntamos o que a Feira da Sete Portas significa para o Seu Jurandir ele num tom mais pensativo diz... “tudo, amo isso aqui, pois daqui sai o meu sustento, o que consegui foi por causa disso, criei meus filhos com o dinheiro daqui, meu outro filho também já tem seu negócio aqui e vive daqui”.

 












Trabalho realizado por Heloise Nascimento e Bruno Ganem para a matéria de Fotojonalismo II no curso de Jornalismo - FSBA em 05 de Setembro de 2014.

Por causa de um Ipad


Hoje cheguei em casa muito chateado! Minha mãe, que é doméstica, com seus trajes remendados e seu fiel lenço na cabeça, foi logo exclamando o por quê de tanta tristeza.
Era minha primeira semana de aula na escola nova, particular e até o porteiro já sorria de canto de boca antes mesmo de que eu pudesse ler a lista de materiais a comprar.
Na lousa da minha sala, que é digital (mais moderna não conheço!), já havia um pedido que me deixou encabulado: "Para a próxima aula, tragam deu Ipad".
Como pode exigir tanto se os alunos já pagam caro só para estudar, e no meu caso, sou bolsista, a patroa da minha mãe conseguiu essa vaga pra mim, por me ver tão aplicado e sem oportunidades.
Ela (a minha mãe) me contou com lágrimas nos olhos, que no tempo em que estudava as lousas eram parede e se escrevia com giz, o caderno era de brochura e usava-se lápis com borracha na ponta para escrever e as vezes tinham sorte de ter um livro para estudar. Internet, não conhecia, computador era coisa de rico e esse eu já tenho, não é um Core i5, mas "quebra um galho" nos trabalhos da escola.
Juro que cheguei a sonhar acordado por um momento, idealizando como seria ver aquelas animações e gráficos mais de perto, em minhas mãos. Mas logo me lembrei que o máximo que posso ter é a vaga na melhor turma, isso por que sou muito inteligente, mesmo não tendo muitas oportunidades na vida, sempre fui aluno aplicado e pretendo ser doutor.
Se a escola soubesse o quanto é chato ver que não posso ter um Ipad eles com certeza não fariam essa exigência.


(E foi tudo que ouvi de um garoto frustrado)